DA NECESSIDADE AO CONSUMO E DA COMPULSÃO AO CONSUMISMO

Eder Dantas,

Prof. de Língua Portuguesa.

No contexto hodierno, vive-se o que o filósofo Karl Marx definiu como processo de “coisificação humana”, relacionando capital, trabalho e alienação ao panorama contraditório da necessidade de consumo e da compulsão ao consumismo. Impulsionado pela Revolução Industrial que desencadeou um modelo de economia liberal, o consumismo hoje leva à alienação, criando uma subversão de valores entre o ser e o ter, como a facilitação das compras, o comércio virtual e as ofertas redutoras. Urge um controle e um consumo consciente, a fim de evitar a alienação e a aquisição supérflua.

Por esse prisma, o filósofo Zygmunt Bauman criou o conceito de modernidade líquida, demonstrando a futilidade e volatilidade da sociedade moldada a padrões supérfluos. Movimentos artísticos como o pop art surgiram com o objetivo de ironizar a cultura de massa que tendia cada vez mais ao consumismo, o que atesta a cronicidade da problemática que, com o surgimento de transtornos como depressão, ansiedade, a par de endividamentos e descontrole demonstram a dificuldade de enfrentamento.

Sob diferença ótica, o avanço da tecnologia, auxiliado pela neuromarketing e pelo e-commerce permitiu que com apenas alguns cliques uma compra fosse realizada, implicando a estruturação de uma era de consumidor guiada por um senso comum da sociedade em que o homem cria uma necessidade de comprar compulsivamente, incutida alienadamente como símbolo de prazer, felicidade e sucesso. Ademais, a inadimplência, o descontrole do cartão e a falta de controle com as crianças acabam por tornar as pessoas menos cidadãs, já que a compulsão para aquisição de bens pode ocasionar crises financeiras e alimentar até mesmo a criminalidade, principalmente nas classes menos favorecidas que praticam furtos e roubos para se satisfazerem.

Face a essas considerações, sabe-se que o consumo é uma necessidade humana, porém deve haver uma conscientização quanto aos padrões exageradamente consumistas. Destarte, urge que, doravante, os Estados, com o auxílio de instituições privadas formem núcleos familiares que conscientizem o consumo apenas quando houver necessidade, além de aplicar o ensino financeiro nas escolas com peças de teatro, debates, aulas e idas a comércios, incentivando o consumo consciente e alertando sobre propagandas enganosas, proporcionando aos cidadãos a segurança de um consumo consciente.

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